domingo, 1 de setembro de 2019

Quem é o ser humano Vladimir Herzog?

A entrada da Ocupação Vladimir Herzog, no Instituto Itaú Cultural, em São Paulo - Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Por Leila Kiyomura - A verdadeira história de Vladimir Herzog tem muitos ideais, projetos e humanidade no horizonte. É esse jornalista, professor, cineasta, fotógrafo, pai dedicado e amigo que deixa suas impressões em inúmeras fotos, roteiros, filmes, reportagens, depoimentos e cartas que o Instituto Vladimir Herzog e o Itaú Cultural revelam.
Conhecer a vida de Vladimir Herzog é uma ventura. A vítima, o herói, o mito vão além do símbolo contra a ditadura. A pessoa real tem uma história que poucos conhecem. Uma vida interrompida aos 38 anos, pontuada pela sensibilidade e consciência humana.
“Pela primeira vez, todos vão poder conhecer o meu pai, não o mito”, diz Ivo Herzog, o filho mais velho de Vlado. “Vão saber quem era a pessoa. Observar a sua dedicação em outros caminhos, como o do cinema. Ver o seu projeto de filmar a história de Canudos e também as cartas que trocava com os amigos, suas fotos e atuação em outras áreas.”
Ivo tinha 9 anos e o irmão André 7, quando o pai morreu no dia 25 de outubro de 1975, assassinado pela ditadura militar então em vigor no País. “A exposição trouxe muitas coisas que eu também não conhecia. Tinha a lembrança dos nossos passeios na praia, no sítio. Mas a pesquisa que foi desenvolvida pelas equipes do instituto e do Itaú Cultural trouxe detalhes importantes do ser humano, sempre preocupado com o social.”
Os filhos e a viúva Clarice acompanharam de perto a montagem da exposição. A Ocupação Vladimir Herzog está em todo o espaço do Piso 2 do Itaú Cultural. “A mostra entrelaça e dialoga com o percurso da vida e da obra de Herzog, desde o dia em que ele nasceu, 27 de junho de 1937, em Osijek, na Iugoslávia, atual Croácia”, conta Luís Ludmer, curador do Instituto Vladimir Herzog. “Chegou a São Paulo com a sua família para escapar do antissemitismo e se naturalizou brasileiro. Formou-se em Filosofia pela USP e, além de jornalista renomado, passou a lecionar na Escola de Comunicações e Artes da USP.”

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