sexta-feira, 17 de maio de 2019

Palácio do Rio Branco não pode ser transformado em hotel e sim em museu da memória baiana, propõe projeto do deputado Hilton Coelho (PSOL)

Membro da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa (ALBA) apresentou projeto de indicação ao governador Rui Costa (PT) que destine as instalações do Palácio Rio Branco para criação do Museu da Independência da Bahia. Historiador com mestrado pela UFBA, o parlamentar considera fundamental a preservação da memória da Bahia. “O processo de independência da Bahia do julgo português se deu com muita luta e rebeldia do povo baiano, que, com todas as suas forças, expulsou o colonizador. Diferentemente do que em geral ocorreu nas províncias do Sudeste, onde a proclamação da independência em 1822 se deu sem maiores enfrentamentos, os baianos tiveram que manter ativa campanha militar em face dos portugueses até 02 de julho de 1823, quando finalmente lograram a conquista”.
O legislador destaca que “o projeto visa a manutenção de um patrimônio histórico ameaçado, segundo os meios de comunicação, pelo governador Rui Costa que, segundo relato, quer desocupar o prédio do Palácio do Rio Branco, na Praça Municipal de Salvador, para outros fins. Requeremos que o bom senso prevaleça e que no local surja o Museu da Independência da Bahia, que congregue obras, relíquias, material informativo, oficinas e palestras para os visitantes acerca do movimento de libertação da Bahia, desde de seus momentos iniciais até a vitória final em 02 de julho de 1823”.
Hilton Coelho, que como historiador é um estudioso da libertação da Bahia, afirma que “a luta em nossa terra remonta 1798, ano em que aconteceram as lutas da Revolta dos Búzios. Entretanto, esperanças autonomistas ganharam força a partir do ano de 1821, quando as notícias da Revolução do Porto reavivaram as esperanças de liberdade em Salvador. Os grupos favoráveis ao fim da colonização enxergavam na transformação liberal lusitana um importante passo para que o Brasil atingisse sua independência”.
“Neste processo de lutas, inúmeras figuras populares foram de relevo, como Maria Quitéria, Maria Felipa, os encourados de Pedrão e todos os caboclos e caboclas que lutaram pelo fim do domínio português. Tratou-se, portanto, de movimento em que os nomes que ficaram na história também foram das pessoas simples, que lutaram com as armas disponíveis, principalmente as próprias mãos, para se libertarem do domínio do colonizador. Não podemos esquecer, em nome do mercado imobiliário, nossa história de luta e resistência”, conclui Hilton Coelho.

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