sexta-feira, 8 de março de 2019

Aos 72, delegada ainda tem fama e é reconhecida por ‘sargentona’ ao lidar com agressores de mulheres em MS



Delegada aposentada em MS atuou por 9 anos na linha de frente com agressores de mulheres — Foto: Redes sociais/Reprodução

O nome era tão forte que até hoje ainda ecoa como referência para os delegados que passam pela academia, em Mato Grosso do Sul. Aos 72 anos, a delegada aposentada Zenóbia da Silva Pedrosa contabiliza histórias de nove “intensos” anos, como sendo a profissional que inaugurou a 1ª Delegacia da Mulher, no dia 25 de abril de 1986. De lá para cá, veio o apelido de “sargentona”, algo que não a incomoda, pelo contrário, a fez ganhar o respeito de muito marmanjo agressor de mulheres.

“A delegacia ficava na região central, na rua 14 de julho com a 7 de setembro. Foram as primeiras salas de atendimento à mulher e tudo começou porque um grupo de mulheres começou a se mobilizar e então foi criada a 1ª Delegacia da Mulher. Eu me formei na academia em 1985 e, em seguida, atendia estas vítimas e logo fortalecemos o pedido junto ao governador e o secretário na época. Aos poucos, o corpo de policiais foi ampliando e todos fizeram um excelente trabalho”, afirmou ao G1Zenóbia.Na época, a delegada fala que os casos de feminicídio eram raros. “Eu ainda tenho os dados muito claros na minha memória. Foram apenas dois no período em que eu fiquei lá. Mas, infelizmente atendi muitas mulheres com o nariz quebrado, além de outras partes do corpo. Os casos de lesão corporal leve e grave era o que eu mais atendia, porque muitas ficaram confiantes em denunciar. Nossa média era de 40 a 55 mulheres atendidas por dia, envolvendo não só a parte psicológica como de assistência social. Outro projeto proveitoso era nossa parceria com o alcoólicos anônimos, para manter os parceiros fora da bebida”, relembrou.

Delegada no dia da inauguração da 1ª Delegacia da Mulher em MS — Foto: Zenóbia Pedrosa/Arquivo Pessoal

Por Graziela Rezende, G1 MS

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