terça-feira, 22 de maio de 2018

VITÓRIA DA CONQUISTA: Estudantes rasgam outdoor de vereador que pede intervenção militar


Preso na greve da PM, o ex-policial David Salomão, hoje vereador pelo PTC, espalhou campanha em apoio à intervenção dos militares e ato revoltou a comunidade da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB. Detido em 2012, o vereador chamou os estudantes de “criminosos”

Em resposta à “Intervenção”, outdoor exibiu as mensagens: “Não à Ditadura” e “Ditadura nunca mais!”

Em meio a pregações cada dia mais rotineiras de uma suposta intervenção militar para salvar o Brasil da corrupção, o vereador de Vitória da Conquista, David Salomão (PTC), deflagrou uma campanha – não se sabe se financiada pelo próprio ou com dinheiro público da Câmara Municipal – para engrossar o coro pela volta dos militares. Um desses outdoors estampava o apelo aos milicos bem próximo da entrada principal da Uesb, por onde passam diariamente centenas de estudantes e professores. Insultada com a incitação em letras garrafais de um regime que ceifou vidas, torturou e empurrou muitos brasileiros para o exílio, a comunidade acadêmica reagiu e rasgou, na última quarta, 4, o pleito estúpido do vereador.
Um dos presentes no protesto foi o advogado e professor do curso de Direito da instituição, Ruy Medeiros. Torturado pelo regime militar, Ruy – um dos mais respeitados professores da universidade – cobrou um posicionamento oficial da Câmara Municipal. Em seu perfil na rede social Facebook, o vereador do PTC, ao estilo MBL/Olavo de Carvalho, reiterou a defesa da intervenção e chamou – sem um autoexame de consciência, evidentemente – os docentes de “doutrinadores”. Religioso, Salomão foi preso em 2012 após telefonemas interceptados pela Justiça flagrarem ele planejando “queimar carretas e viaturas” durante a greve da PM daquele ano.

G1-BA dá palanque para vereador se defender


Em mensagens interceptadas pela Justiça, David Salomão avisa que vai “queimar viatura” e incendiar “duas carretas”

Preso em 2012 por incitar a quebra da lei e da ordem, o vereador David Salomão invocou em sua defesa, sem invocar o seu passado, “vandalismo” dos professores e dos estudantes. “São marginais”, esbravejou o ex-policial. Além de entusiasta do regime militar e admirador de Jair Bolsonaro (condenado por injúria racial na última segunda, 2), Salomão atacou em sua página no Facebook o que chamou de “ditadura esquerdista”. Mas, ao estilo “o meu passado me condena”, Salomão foi filiado ao PCdoB, agremiação da qual foi expulso por “comportamento (durante a greve da PM) não condizente com a linha do partido”, segundo o então presidente estadual da legenda, Daniel Almeida. Por sua conduta em 2012, até mesmo a subseção local da OAB cogitou sua expulsão dos quadros da Ordem (ele também é advogado).

Mesmo com esse histórico desabonador, ao G1 Salomão posou de bom moço e prometeu processar estudantes e professores: “Defendo a liberdade de expressão e tive a minha liberdade violada. Eles agiram como verdadeiros ditadores. Fui alvo de criminosos”. A desvairada declaração passou desapercebida pelos editores do G1, uma vez que foi justamente o regime aclamado pelo vereador, e alvo do veemente protesto dos estudantes, que baixou AIs (Atos Institucionais) e Decretos-Leis cerceando a liberdade de expressão de artistas e instituindo a censura prévia à imprensa.

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da Uesb divulgou nota em que repudia a mensagem do vereador por esta fazer “uma apologia à volta do vergonhoso regime de exceção o qual, além de macular nossa história, apresenta uma visão político-social que não reconhece a pluralidade de ideias, base em que se assenta a Uesb em sua missão educativa”.

Com informações: Megarádio VCA, Blog do Anderson, G1, Blog do Fábio Sena

Um comentário:

  1. Nossaaaaa esta matéria é MUITOOO ANTIGAAA, por que vocês estão colocando com a data de hoje ???????

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