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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Peixe-boi da Amazônia é protagonista de websérie do Instituto Mamirauá

Cheio de carisma, o peixei-boi amazônico estrela a produção online, realizada pelo Instituto Mamirauá com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. A websérie "Peixe-boi - Guardião das Águas Amazônicas" divulgou seu terceiro e último episódio nessa quarta-feira (19/09). Assista:
O projeto retrata a interação entre o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis), as comunidades ribeirinhas e pesquisadores do Mamirauá que, além de estudarem e monitorarem os animais, promovem ações de conscientização com a população regional sobre a importância de conservar a espécie.O Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos (Mamaq), que trabalha no Instituto Mamirauá com peixes-boi - que é o animal há mais tempo monitorado por suas equipes de campo -, realiza estudos que observam desde a dinâmica populacional, que se refere a dados como idade, distribuição e abundância do animal, até a ocorrência e os efeitos da caça de subsistência do mamífero.
Segundo a oceanógrafa Miriam Marmontel, pesquisadora líder do grupo, a caça ao peixe-boi ainda existe por toda a Amazônia. "A gente trabalha muito junto com as comunidades, em termos de educação ambiental, para que isso diminua. ", afirma.

Conscientizar para conservar
Além de Miriam, a série entrevistou as pesquisadoras Hilda Chávez-Pérez e Camila de Carvalho, que relatam como são feitas as iniciativas de conscientização das populações ribeirinhas quanto à importância de se conservar o peixe-boi. As ações de pesquisa, reabilitação, conservação e educação, que acontecem desde a década de 90, já mostram resultados bem significativos, tendo praticamente erradicado a caça em algumas regiões, como o lago Amanã, no estado do Amazonas.
"Quando a gente conscientiza o povo, tudo melhora. E a gente vê que agora aumentou muito o número de peixes-boi. ", conta Luiz Sérgio dos Reis, morador da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã.
"Eu me sinto bem feliz de escutar pescadores que chegaram a caçar mais de 60 peixes-boi na vida dizendo que estão fazendo a sua parte, não caçando, porque acham bonito ver o peixe-boi vivo. ", relata Hilda.

Pesquisa e monitoramento
Na websérie "Peixe-boi - Guardião das águas amazônicas", as cientistas do Instituto Mamirauá explicam como e por que são feitos os estudos com os peixes-boi. "Quanto mais você conhecer da espécie, dos aspectos ecológicos, biológicos, mais você tem informações para criar estratégias e subsidiar a conservação. ", conta Camila.
A produção também apresenta as trajetórias das três cientistas entrevistadas, até o encontro de cada uma delas com o peixe-boi amazônico, e o processo de pesquisa com telemetria - técnica utilizada pelas equipes de campo do instituto, que possibilita o monitoramento à distância, através da instalação de cintos transmissores nos animais.

A websérie
A produção do projeto utilizou tecnologia de ponta para a realização das filmagens, com imagens geradas por drones e câmeras subaquáticas. A realização foi possível graças ao apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. As gravações aconteceram na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no estado do Amazonas, ao longo de diversas expedições científicas.
A série "Peixe-boi - Guardião das Águas Amazônicas" está disponível nas páginas de Facebook (facebook.com/institutomamiraua) e Youtube (youtube.com/institutomamiraua) do Instituto Mamirauá.

Texto: Bernardo Oliveira

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