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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Boto cor-de-rosa é salvo por equipe do Instituto Mamirauá após ficar preso em rede de pesca na Amazônia



Fêmea de boto estava enrolada em uma grande rede de pesca e foi libertada por pesquisadores e assistentes do instituto. Resgate aconteceu na região central do estado do Amazonas

Uma equipe do Instituto Mamirauá resgatou uma fêmea de boto-vermelho, conhecido na região como boto cor-de-rosa, presa em uma rede de pesca no início de agosto, no lago Jutaí, estado do Amazonas. Uma das pesquisadoras registrou o momento em que o boto foi desenrolado da rede e solto, assista ao vídeo aqui e a seguir:
Daiane da Rosa, pesquisadora do Instituto Mamirauá, conta que na manhã de sábado, dia 4, a equipe finalizava um trabalho de monitoramento de botos na hora do ocorrido. Ao atravessar o lago, avistaram um animal da espécie Inia geoffrensis, o boto cor-de-rosa, com um comportamento que chamou a atenção."O boto estava sempre 'subindo' no mesmo lugar, perto ou quase em cima daquela malhadeira (tipo de rede de pesca), na hora suspeitamos que ele estivesse enrolado", aponta Daiane, que é membro do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos (Mamaq) do Instituto Mamirauá. A pesquisadora se refere à rotina de respiração dos botos, mamíferos aquáticos que precisam subir à superfície da água em busca de oxigênio para respiração.
"Quando chegamos perto vimos que realmente era um boto vermelho jovem, fêmea, e que estava muito enrolada na malhadeira. Então começamos o processo de organização na voadeira (barco a motor) para tirarmos ela da rede".
No barco do grupo, não havia tesouras, facas ou qualquer objeto cortante para romper a malhadeira, uma grande rede que, segundo calculam, tinha entre 4 e 5 metros de comprimento. O primeiro passo então foi retirar a rede de pesca do ponto onde estava amarrada, para soltar o boto com mais facilidade, trabalho feito pelos assistentes de pesquisa Joney Carvalho e Alcbides Martins.
Aparentando cansaço e com dificuldades de respirar, a fêmea de boto cor-de-rosa se mexia inquieta durante todo o salvamento. "O Alcbides foi essencial para conseguirmos salvar o boto. Ele teve a calma e paciência para soltar a rede manualmente e em um tempo curto, de mais ou menos quinze minutos", informa a pesquisadora Thayara Carrasco.
"Quando terminamos o resgate, a fêmea de boto sumiu e demorou a subir de novo à superfície, chegamos a temer que o animal tivesse afogado, mas depois de um tempo ela voltou a aparecer próximo a um monte de capim flutuante", relembra Daiane da Rosa.
Apesar de relatos de botos presos em redes de pesca serem comuns entre pescadores e moradores de comunidades ribeirinhas, essa foi a primeira vez que os pesquisadores se depararam com um caso de boto acidentalmente enredado na região.
Por mais de dois anos, o grupo do Instituto Mamirauá tem realizado trabalhos periódicos em setores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, como o lago Jutaí, onde a fêmea de boto cor-de-rosa foi encontrada. O objetivo das expedições, que acontecem a cada dois meses, é fazer a contagem de tucuxis, de coloração cinza, e botos vermelhos em porções de lagos e rios da reserva para fazer uma estimativa populacional, pensando na conservação das espécies.
Texto: João Cunha

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