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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Barbeiro que já passou fome ajuda mais de 400 famílias carentes de Salvador

A palavra Miserê – que em Salvador é adjetivo para pessoa retada – pode até lembrar miséria, mas na manhã deste 25 de dezembro, foi sinônimo de fartura. Cosme Filho, 41, dono do apelido e da Barbearia Miserê, se juntou com 12 amigos para arrecadar e distribuir cerca de duas toneladas de comida em 420 cestas básicas, 150 brinquedos e 200 peças de roupa que fizeram a alegria de mais de 400 famílias do fim de linha de Canabrava, periferia da capital baiana.
No bairro, basta perguntar por Miserê que todo mundo ensina como chegar à estreita Rua dos Azulões, onde ele nasceu e vive até hoje. “Já tivemos muita dificuldade, passamos até fome. Me lembro de minha mãe chorando num canto da casa porque não tínhamos o que comer. O Haiti fica tão perto e a gente nem toma conhecimento”, conta. Para retribuir ao universo, todo dia 25 de dezembro, há 11 anos, acontece a mesma coisa: “descemos pra jogar futebol às 7h da manhã e, quando voltamos, às 9h, já tem uma fila enorme aqui na porta de casa”, diz Cosme.
Filho de uma doméstica com um segurança e com três irmãos, hoje ele é dono de uma barbearia no bairro de Vale dos Lagos. “A criminalidade é altíssima, mas também tem muitas pessoas boas aqui. Agradeço a educação que meus pais me deram e hoje tentamos ajudar pessoas que precisam. Não somos ONG nem associação: só um grupo de amigos que arrecada coisas e distribui pros mais necessitados”, diz Miserê.
Uma das beneficiadas foi Carla Araujo, 21, que além dos alimentos, ganhou um velotrol de presente para o filho Iuri, de 10 meses. “Foi ótimo porque eu não tinha conseguido comprar nada pra ele porque estou desempregada há 7 meses e sem dinheiro. Este Natal está sendo muito bom, mas torço para o próximo ser melhor”, diz a moça, que já foi recepcionista num restaurante. Ela mora numa casa com cinco familiares, todos na mesma situação. “O único que conseguiu algo foi meu irmão, um bico de ganhar R$ 30 por dia.

As amigas Rita de Cássia, 39 e Viviane Carvalho, 18, garantiram oito sutiãs na galinha-gorda. “Nunca tinha vindo porque trabalhava e deixava pra quem precisa. Mas agora estou desempregada e tenho que correr atrás, né?”, explica Rita, que vai levar para casa também sandália, cesta básica e brinquedos pros sobrinhos.

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